terça-feira, 5 de novembro de 2013

Eu só quero que você seja feliz


Entre um gole e outro de suco de laranja, eu me lembrava daquele garoto de cabelo preto. O cabelo dele era tão liso e preto que era o destaque por onde ele passava. Seu perfume era, de certeza, importado. Aquele cheiro era de me deixar hipnotizada. Adorava perfumes masculinos. Sem falar na voz dele. Tão cativante.

Agora pegando uma bolacha do vidro, lembro-me de como ele era simpático. Não comigo. Eu nunca havia falado com ele. Pelo menos com as outras meninas, ela parecia ser bem legal. Céus, como pude nunca ter falado com ele? Como eu era tosca. Ou talvez não. Talvez eu só tivesse um pouco de medo de levar um fora do cara. Ele parecia ser coisa demais pra mim. Sei que não devo me rebaixar, mas me imaginar com ele, era quase impossível. A cena não se completava na minha mente.

Minha mãe estava assistindo o Jornal Nacional. Eu como de costume, estava no computador escrevendo algo que fosse útil para aquela redação da escola. Não era que o tema fosse chato, era só que eu não estava com a imaginação "a flor da pele". Comecei a ler umas frases da Clarice Lispector e Renato Russo e Tnam!A imaginação foi solta na minha cabeça e comecei a escrever. 

Mal tinha acabado a tal redação e fui dar uma olhada nas minhas redes sociais, que por mais que não fossem muito frequentadas, era legal ver as atualizações das outras pessoas. De repente, me deparo com uma atualização do Eduardo, o tal garoto pelo qual eu era fascinada, estava em um relacionamento sério com uma tal de Paula. Meu mundo caiu. Por mais que eu soubesse que aquilo iria acontecer um dia, presenciar aquilo parecia bem diferente. Subiu algum sentimento para minha cabeça. Acho que era raiva. Raiva da tal Paula, raiva do Eduardo, e principalmente, raiva de mim.

Desliguei o computador e nem me lembrei de salva a história para a redação do outro dia. Minha mãe distraída com a novela que acabara de começar, não reparou que eu havia saído dali aos pedaços. Catei todos eles e me levantei do sofá. Minha vontade era de chorar. E chorei. No meu quarto. Meu travesseiro foi a base para minhas lágrimas. Por que eu estava com raiva de mim? Talvez por não ter falado com ele quando tive chance, por não ter tido o lápis extra para emprestar pra ele na aula de história e outras coisas. 

No outro dia, acordei com um pouco de dor de cabeça. Queria que tudo aquilo tivesse sido um sonho. Infelizmente, não era. Pude provar isso quando vi ele no colégio com a Paula. Ela era bonita, magra e tinha um corpão. Bem diferente de mim. Os dois estavam sorrindo de alguma piada que Alexandre, um amigo deles, havia contado. Parecia ser sorrisos sinceros. De repente, passou uma frase meio estranha na minha cabeça e eu mexi os lábios para ela sair bem baixinho.

__Eles formam um lindo casal...

De repente fiquei confusa. Eu amava ou não aquele garoto? A única resposta que tive foi da minha consciência, que dizia:

__Sim! Você o ama tanto que quer que ele apenas seja feliz, mesmo sendo a causa dessa felicidade, uma outra garota.

2 comentários:

  1. Nossa... adorei a história! Acho que quando a gente escreve algo pelo qual temos sentimento, fica bem mais emocionante! =)
    Infelizmente todo mundo tem medo de fazer algo, e acaba se arrependendo. E pode ter certeza que não será apenas uma vez que uma pessoa vai sofrer por amor!

    Beijo =*

    http://conversaentreirmas.com/

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    1. Obrigadaaa!! Nossa, cê não sabe o quanto comentários assim me deixam feliz! É tão bom saber que no meio desse mundo tem gente que gosta do que você faz com tanto carinho!! Muuito obrigada mais uma vez!! Volte sempre!! " )

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